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Economia doméstica busca o desenvolvimento social e da família
14/8/2008 10:25:49

Embora o senso comum possa imaginar que o curso de economia doméstica é direcionado para formar mulheres donas-de-casa, a realidade é completamente diferente. O economista doméstico é o profissional que desenvolve atividades para alcançar o bem-estar físico e social das pessoas, famílias e comunidades. De que forma? Orientando a população sobre a manipulação e produção de alimentos, sobre administração familiar e planejando espaços da habitação e de instituições, por exemplo.

Segundo a professora Maria de Fátima Massena de Melo, coordenadora do curso de economia doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), desde 1952 o curso é considerado de nível superior no país - antes ele era de nível médio. Segundo ela, ele foi criado especialmente por causa dos serviços de extensão rural no Brasil (pós-guerra) para estimular a produção agrícola.

"O Brasil precisava de profissionais no meio rural para orientar a população sobre as necessidades básicas da família como higiene, saúde, vestuário e principalmente sobre o orçamento doméstico. Por causa do seu início na área rural, ele era voltado especialmente para as donas-de-casa, mas hoje em dia o curso não tem mais nada a ver com isso", disse a professora Maria de Fátima.

O curso de economia doméstica tem entre seus objetivos principais formar profissionais para atuar em ONGs, órgãos públicos e privados - em empresas de serviços, como hotéis, lavanderias, restaurantes, creches, sempre com foco na qualidade de vida. "Esses serviços antes eram ligados apenas ao uso doméstico. Hoje eles são feitos fora de casa e são voltados para a família, que é o foco do curso", disse Maria de Fátima.

Coletividade e qualidade de vida

Segundo a professora Sande Maria Gurgel D'Ávila, coordenadora do curso na Universidade Federal do Ceará (UFC), o profissional vai trabalhar com administração de recursos das empresas, com orçamento doméstico, com orientações para preparação de alimentos sem perda de nutrientes e sem desperdício, com trabalhos de geração de renda, com assistência à criança, sempre pensando na coletividade.

"Em um hotel, por exemplo, o economista doméstico vai trabalhar desde a elaboração do cardápio, planejando uma alimentação balanceada, sem desperdícios e com custo mínimo; na orientação dos serviços de limpeza, como ajudar na elaboração da roupa adequada a ser usada para o desempenho correto da função, quais produtos usar, como economizar recursos, entre outras atividades. Em lavanderias, ele vai orientar como é a lavagem adequada de uma roupa sem estragar os tecidos", explicou a professora Sande.

A professora Sande ressaltou que o planejamento de uma alimentação balanceada não se confunde com o trabalho de um nutricionista, por exemplo. "O nutricionista pode elaborar dietas em hospitais, por exemplo. Nós não. Nosso foco é a alimentação de pessoas saudáveis", disse.

Aprendendo a cozinhar e costurar

Os alunos do curso de economia doméstica colocam a mão na massa, literalmente. Nas aulas práticas, aprendem a cozinhar e a processar os alimentos de forma a não perder as suas propriedades fundamentais. O aluno também aprende a armazenar e manipular o alimento adequadamente para evitar contaminações.

Outra disciplina prática dos estudantes de economia doméstica é na área de vestuário. Segundo a professora Sande, durante o curso os alunos têm disciplinas de conservação têxtil, em que aprendem a reconhecer todas as fibras e tecidos. O aluno também vai aprender modelagem e costura de peças básicas para o vestuário da família, como calças, saias, camisas e camisetas.

As duas professoras, no entanto, ressaltaram que a produção do alimento não é a finalidade, nem o vestuário, nem a higiene. Elas explicam que o objetivo é atingir a família e a comunidade fazendo diagnósticos e identificando as principais necessidades familiares para que, assim, possam orientar as famílias. "Esses são itens de qualidade de vida que as pessoas precisam ter acesso", explicou a professora Maria de Fátima.

O curso de economia doméstica é oferecido por sete instituições, seis delas federais e uma particular. O tempo de duração de cada um varia de 3 a 4 anos e meio.



Autor: Fernanda Bassette
Fonte: Do G1, em São Paulo

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